sábado, 6 de novembro de 2010

Verdadeira regeneração





Verdadeira regeneração

Ryokan devotou sua vida ao estudo do Zen. Um dia ele ouviu que seu sobrinho, a despeito das advertências de sua família, estava gastando seu dinheiro com uma prostituta. Uma vez que o sobrinho tinha substituído Ryokan na responsabilidade de gerenciar os proventos da família, e os bens desta portanto corriam risco de serem dissipados, os parentes pediram a Ryokan fazer algo.

Ryokan teve que viajar por uma longa estrada para encontrar seu sobrinho, o qual ele não via há muitos anos. O sobrinho ficou grato por encontrar seu tio novamente e o convidou a pernoitar em sua casa.

Por toda a noite Ryokan sentou em meditação. Quando ele estava partindo na manhã seguinte ele disse ao jovem: "Eu devo estar ficando velho, minhas mãos tremem tanto! Poderia me ajudar a amarrar minha sandália de palha?"

O sobrinho o ajudou devotadamente. "Obrigado," disse Ryokan finalmente, "você vê, a cada dia um homem se torna mais velho e frágil. Cuide-se com atenção."

Então Ryokan partiu, jamais mencionando uma palavra sobre a cortesã ou as reclamações de seus parentes. Mas, daquela manhã em diante, o esbanjamento do seu neto terminou.



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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Contos Zen





O Observador

Certo dia um rei chamou ao seu palácio o mestre zen Muhak - que viveu de 1317 a 1405 - e lhe disse que, para afastar o cansaço e a tensão do trabalho administrativo, queria ter uma conversa completamente informal com ele. Em seguida, o rei comentou que Muhak parecia um grande porco faminto procurando comida.
- E você, excelência parece o Buda Sakiamuni meditando, sobre um pico elevado dos Himalaias.
O rei ficou surpreso com a resposta de Muhak.
- Comparei você a um porco, e você me compara ao Buda?
- É que um porco só pode ver porco, excelência, e um Buda só pode ver Buda

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Mais Devagar

Um jovem atravessou o Japão em busca da escola de um famoso praticante de artes marciais. Chegando ao dojo, foi recebido em audiência pelo Sensei.
- O que você quer de mim ? perguntou-lhe o mestre
- Quero ser seu aluno e tornar-me o melhor karateca do país. Quanto tempo preciso estudar ?
- Dez anos, pelo menos.
- Dez anos é muito tempo respondeu o rapaz . E se eu praticasse com o dobro da intensidade dos outros alunos ?
- Vinte anos.
- Vinte anos! E se eu praticar noite e dia, dedicando todo o meu esforço ?
- Trinta anos.
- Mas, eu lhe digo que vou dedicar-me em dobro, e o senhor me responde que a duração será maior ?
- A resposta é simples. Quando um olho está fixo aonde se quer chegar, só resta um para se encontrar o caminho.

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O Monge e o Escorpião na Ponte

Um monge cruzava uma ponte na qual mal se conseguia equilibrar. Embora seus passos fossem curtos e lentos, a ponte cada vez baloiçava mais. Nisto um escorpião, escondido na ponte, começou a subir pela sua mão. Continuou lentamente pelo braço até alcançar-lhe o ombro . O monge gelado de medo parou a sua caminhada. Antes de entrar em pânico lembrou-se de respirar fundo e acalmar a mente. O escorpião não se mexeu e, como numa providência divina, uma rajada de vento fe-los balançar violentamente e o escorpião caiu pelo abismo. Feliz , o monge agradeceu ao vento e seguiu sua caminhada.

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Apego

Um dia morreu o guardião de um mosteiro Zen. Para descobrir quem seria a nova sentinela, o mestre convocou os discípulos e disse:
- O primeiro que conseguir resolver o problema que eu vou apresentar assumirá o posto.
Então numa mesa que estava no centro a sala colocou um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza. E disse apenas:
- Aqui está o problema!
Todos ficaram olhando a cena: o vaso belíssimo, de valor inestimável, com a maravilhosa flor ao centro! O que representaria? O que fazer? Qual o enigma? De repente um dos discípulos saca da espada, olha para o mestre, dirigi-se para o centro da sala e... Zazzz! Com um só golpe destruiu tudo.
- Você é o novo guardião. Não importa que o problema seja algo lindíssimo. Se for um problema, precisa ser eliminado.


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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Meditação Vipassana e Samatha








Vipassana e Samatha: a Meditação ensinada pelo Buddha

No Budismo temos dois tipos principais de meditação. São habilidades mentais distintas, modos de funcionamento ou qualidades da consciência. Em Páli, idioma original da literatura Theravada, elas são chamadas Vipassana e Samatha.

Vipassana pode ser traduzida por “insight”, uma consciência clara do que está exatamente acontecendo no momento em que acontece. Samatha pode ser traduzida como “concentração” ou “tranqüilidade”. É um estado em que a mente é levada ao repouso, focalizando apenas um item, não se permitindo que ela divague. Quando se alcança isto, o corpo e a mente são tomados de uma profunda calma, um estado de tranqüilidade que deve ser experimentado para ser compreendido.

A maioria dos sistemas de meditação dá ênfase ao componente Samatha. O meditante foca a mente em certos itens, tal como uma prece, certos objetos específicos, um cântico, a chama de uma vela, uma imagem religiosa ou qualquer outra coisa, e exclui da consciência todos os demais pensamentos e percepções. O resultado é um estado de êxtase que perdura até o término da meditação sentada. É belo, deleitoso, significativo e atraente, mas apenas temporariamente. A meditação Vipassana volta-se para o outro componente, o insight.

O praticante de meditação Vipassana usa sua concentração como um instrumento através do qual sua consciência vai demolindo aos poucos a muralha de ilusão que o separa da luz viva da realidade. É um processo gradual de aumento constante da consciência e dirigido para os processos internos da própria realidade. Demora anos, mas um dia o meditante rompe o muro e de súbito, se encontra na presença da luz. A transformação é completa. Chama-se libertação, e é permanente. A Libertação é a meta de todos os sistemas de prática budista. Porém as rotas para atingir esse fim são muito diferentes.

Bhante Henepola Gunaratana, Mindfulness in Plain English. p.3, USA: Wisdom, 2002


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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Contos do Zen








Impermanência

Um famoso mestre espiritual aproximou-se do Portal principal do palácio do Rei. Nenhum dos guardas tentou pará-lo, constrangidos, enquanto ele entrou e dirigiu-se aonde o Rei em pessoa estava solenemente sentado, em seu trono.

"O que vós desejais?" perguntou o Monarca, imediatamente reconhecendo o visitante.

"Eu gostaria de um lugar para dormir aqui nesta hospedaria," replicou o mestre.

"Mas aqui não é uma hospedaria, bom homem," disse o Rei, divertido, "Este é o meu palácio."

"Posso lhe perguntar a quem pertenceu este palácio antes de vós?" perguntou o mestre.

"Meu pai. Ele está morto."

"E a quem pertenceu antes dele?"

"Meu avô," disse o Rei já bastante intrigado, "Mas ele também está morto."

"Sendo este um lugar onde pessoas vivem por um curto espaço de tempo e então partem - vós me dizeis que tal lugar NÃO É uma hospedaria?"


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